Sobre o CDA Órion

Update: 26/12/2019

A FUNDAÇÃO DO CLUBE DORENSE DE ASTRONOMIA ÓRION

O Clube Dorense de Astronomia Órion (CDA Órion) foi fundado dia 26 de agosto de 2009. Este grupo, de astronomia amadora, tem sede e atuação no interior do estado, situando-se a sua sede na cidade de Nossa Senhora das Dores/SE, a cerca de 75 quilômetros de Aracaju. Teve como fundador o professor e astrônomo amador Nilson Silva Santos e o professor Vicente Mateus Santana, que juntamente com outros entusiastas se reuniram para participar oficialmente das atividades promovidas no Ano Internacional da Astronomia (AIA 2009).

Logotipo oficial do grupo CDA Órion

Desde a sua fundação, o CDAO Órion, tem se dedicado a promover eventos que objetivam aproximar o público em geral da Astronomia, desmistificando a figura do astrônomo e desta ciência ainda pouco acessível à maioria da população. No rol de ações, destacam-se palestras, exposições, oficinas e observações com telescópio. Já no primeiro ano de fundação, foram realizadas quatro exposições abertas ao público com a coleção de imagens cedidas pelo astrônomo Augusto Damineli “Paisagens Cósmicas”, celebrando o AIA 2009.

Exposição “Paisagens Cósmicas” , pelo CDA Órion em 2009.

Durante as comemorações do Ano Internacional da Astronomia (AIA 2009), o grupo fez parte ativamente como Nó Local, isto é, representante oficial das atividades ligadas ao AIA, juntamente com a SEASE, com o intuito de promover atividades voltadas à popularização da Astronomia, dentro dos planos de metas do Comitê Nacional que coordenou as comemorações em 2009. Neste mesmo ano, além das exposições, foram ministradas palestras em escolas das redes pública e privada, atingindo um público de aproximadamente três mil pessoas.

Representante do Clube ÓRION em palestra para estudantes. Foto: MOURA, M. Projeto Memórias Dorenses, 2009.

Logo após as palestras, ocorriam sessões de observação dos astros com o emprego de equipamento óptico, disponibilizado aos interessados para que pudessem vislumbrar algumas das maravilhas do Universo, não perceptíveis a olho nu. Para tanto, o grupo dispunha de duas lunetas galileoscópicas, sendo uma de 50 mm e outra de 60 mm, além de um telescópio newtoniano caseiro de 180 mm. Com as lunetas se privilegiava a observação de estrelas mais brilhantes e da superfície lunar. Com o telescópio newtoniano, fazia-se a observação de detalhes planetários do nosso sistema solar e céu profundo, sendo que este último consiste em observar e/ou fotografar corpos celestes mais distantes na nossa galáxia ou além.

Estudantes ao lado do telescópio, após palestra realizada como parte das comemorações do AIA 2009

Dando sequência ao trabalho, a partir de 2010, o grupo passou a realizar encontros quinzenais com o objetivo de discutir temas ligados à Astronomia. Esses encontros seguiram ocorrendo em uma sala de aula cedida pela direção do Colégio Estadual General Calazans, para reuniões aos sábados, a partir das dezenove horas, finalizando com observações do céu pelo telescópio. Nessas reuniões, que prosseguem ocorrendo até hoje, além dos membros integrantes do grupo, em um total de seis, há a presença de populares que sempre frequentam as sessões em busca de conhecimentos na área. Na pauta das reuniões quinzenais são apresentados vídeos, fotos, indicações de livros de leitura, notícias sobre as últimas descobertas astronômicas, esclarecimentos de conceitos fundamentais e debates acerca de algum assunto relevante e que esteja em destaque nos últimos dias. Dentre os assuntos mais debatidos, destacam-se a origem da vida na Terra, as descobertas dos exoplanetas e a busca de vida extraterrestre.

No portfólio do CDAO também se inclui atividades relacionadas à Astronáutica. Mesmo antes da fundação do grupo, ocorrida somente em 2009, alguns integrantes já se dedicavam à experimentação científica, envolvendo conceitos da Física propostos por Isaac Newton. Neste sentido, vale ressaltar a construção de foguetes experimentais para a demonstração da Lei da Ação e Reação, destinados a estudantes adolescentes e adultos e professores de escolas públicas e privadas, e demais interessados.

O CDAO E A CONSTRUÇÃO DE FOGUETES EXPERIMENTAIS

Em 2006, dois dos atuais integrantes do grupo, os professores Vismonde Santos e Vicente Mateus, desenvolveram um protótipo de foguete balístico, a partir do uso de materiais recicláveis e de baixo custo, impulsionado por água e ar comprimido, visando simular um lançamento real. O protótipo, batizado de HERMES F-2E, seria capaz de transportar uma cápsula com carga útil a bordo, para ser posteriormente recuperada sem danos, podendo ser reutilizada em outros lançamentos e no mesmo foguete, também reutilizável.

O HERMES, sucessor de outros protótipos menos elaborados, foi apresentado ao público pela primeira vez em uma feira de ciências realizada no Colégio Estadual General Calazans, onde os dois professores ainda lecionam. O projeto contou com a participação de uma equipe de alunos que foram premiados e convidados a apresentar o projeto em eventos fora do Estado, a exemplo da II FENACEB (Feira Nacional de Ciências das Escolas Básicas), em Brasília-DF e na 60ª Reunião Anual da SBPC, em Campinas-SP.

A feira de ciências onde o projeto foi apresentado era dedicada à exploração espacial. No mesmo ano, em março de 2006, ia ao espaço para uma temporada de sete dias na Estação Espacial Internacional, o primeiro astronauta brasileiro, o tenente coronel aviador Marcos Cesar Pontes, selecionado pela Agência Espacial Brasileira (AEB), ara a missão Centenário, em homenagem ao ilustre pai da aviação Alberto Santos Dumont.

Estudantes na II FENACEB (Brasília/2007), em entrevista sobre o projeto HERMES. Foto: HARUKI, E. Agência Espacial Brasileira, 2007.
Astronauta Marcos César Pontes (hoje, 2019, ministro da ciência e tecnologia) acompanhando a montagem do foguete HERMES, para lançamento durante a 60ª Reunião da SBPC (Campinas/2008). Foto: HARUKI, E. Agência Espacial Brasileira, 2008.

Foi durante a II FENACEB, realizada em abril de 2007 na cidade de Brasília – DF (Figura 16) que houve o contato com representantes do Programa AEB Escola, da Agência Espacial Brasileira (AEB). A partir daí, o projeto ganharia repercussão e faria crescer o interesse pelas ciências espaciais entre os membros do grupo. No ano seguinte, em julho de 2008, os gestores do Programa AEB Escola lançaram convite para integrar a equipe da AEB na exposição da SBPC Jovem, em Campinas-SP, onde aconteceu o que seria o primeiro contato imediato com o astronauta Marcos César Pontes, que honrou o grupo lançando e autografando o foguete Hermes, após sua recuperação bem sucedida.

O PROJETO HERMES E O CLUBE DORENSE DE ASTRONOMIA ÓRION – CDAO

Na visão de um dos fundadores do CDAO, o professor Vicente Mateus Santana, “o desenvolvimento e o sucesso alcançado pelo Projeto Hermes foi a pedra fundamental que levou à criação do grupo em 2009”. O professor também salienta que isto deu aos membros do grupo um sentido de unidade e cooperação. “A superação das dificuldades e desafios é o que move o grupo rumo a outros projetos para o futuro”, conclui.

A ideia deste projeto surgiu da necessidade de incentivar nos estudantes o gosto pela pesquisa e o interesse pelas descobertas cientificas, destinadas ao progresso da sociedade. Assim, valeu-se do momento histórico da ida do primeiro astronauta brasileiro ao espaço (Marcos Cesar Pontes), na ‘Missão Centenário’, valorizando o esforço do Brasil, através da Agência Espacial Brasileira (AEB), na pesquisa e no desenvolvimento de veículos espaciais, para incluir o país no seleto grupo de nações capazes de lançar objetos na órbita terrestre e enviar homens ao espaço.

A partir daí, idealizou-se o Projeto Hermes, prevendo a construção de um foguete capaz de transportar uma pequena carga útil, a bordo de uma cápsula de retorno. Isso proporcionou a percepção dos cuidados e procedimentos fundamentais a serem seguidos em uma situação real, envolvendo conceitos estudados em sala de aula nas diversas áreas de conhecimento relacionadas ao fato, isto é, levar à prática o que geralmente ficava restrito à teoria.

Foguete Hermes no veículo com plataforma móvel. Foto: Haruki, 2007.

Entre os conceitos e competências envolvidos neste experimento, destacam-se: lançamento vertical e queda livre, Cinemática, leis de Newton, Hidráulica, Eletrônica e Mecânica, circulação atmosférica e noções de Meteorologia, Aerodinâmica, Geometria, reações químicas e gases, reações fisiológicas condicionadas, viagens espaciais, trabalho em equipe etc. Portanto, o projeto reúne um grande potencial para ser explorado didaticamente por professores, principalmente pela viabilidade dos materiais empregados na construção, que envolve garrafas PET, papelão, peças de eletroeletrônicos sucateados, papel reciclado, entre outros. O experimento conta ainda com um veículo de transporte (parte inferior da imagem anterior), onde está montada em sua carroceria a plataforma de lançamento do foguete. Sob a orientação do CDAO, a construção do veículo foi executada por uma equipe de alunos, utilizando materiais reciclados. Para movimentar o veículo, foi desenvolvido um controle remoto que aciona comandos para o carro deslocar-se para a direção e local desejados, aumentando ainda mais o realismo da atividade.

Quanto à inserção de carga útil, esta vai a bordo na coifa, parte superior do foguete, acomodada em uma cápsula de retorno. Dentro da cápsula, podem ser acomodados objetos de até 200 g para que sejam lançados e posteriormente recuperados. O sistema de recuperação da cápsula e do tanque do foguete , consiste em pára-quedas confeccionados com tecido de sombrinha fixados com barbantes que garantem a sustentação para o pouso seguro no solo. Todo o conjunto, após ser recuperado, pode ser remontado e reutilizado.

Cápsula e o tanque do foguete retornando com o pára-quedas acionados. Foto: Haruki, 2007.

Para este protótipo de foguete, o lançamento se dá a partir da base colocada em posição horizontal, para que o movimento inicial seja vertical e assim o artefato possa alcançar um apogeu maior, podendo atingir até 120 m. Para a propulsão necessária, é utilizada uma bomba de bicicleta ou compressor de ar para injetar no tanque um volume de ar comprimido necessário, juntamente com uma porção de água que, ao ser liberada a trava de segurança, provoca a ejeção da água e do ar comprimido impulsionando o foguete para cima, de acordo com a 3ª Lei de Newton (Ação e Reação).

O CDAO NOS “ENCONTROS REGIONAIS DE ENSINO DE ASTRONOMIA” (EREAs) E LOCAIS “SEMANAS SEASE

O Clube Dorense de Astronomia Órion (CDAO) teve atuação marcante nos eventos de divulgação da Astronomia e formação continuada de professores, promovidos pela Comissão de Ensino da Sociedade Astronômica Brasileira (CESAB), através do coordenador nacional da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), o professor e astrônomo João Batista Garcia Canalle, no período de 2010/2011.

Nesses eventos, diversas atividades são realizadas com o objetivo de divulgar conhecimentos na área astronômica e aproximar a figura do astrônomo do público em geral, principalmente professores e estudantes de escolas de educação básica. Os Encontros Regionais de Ensino de Astronomia (EREA) oferecem oportunidades para que os participantes possam realizar observações diretas através de telescópios, participar de palestras com profissionais da área e aprender a desenvolver experimentos para serem aplicados em sala de aula com os alunos.

A participação de representantes do CDAO nos EREAs, no Ceará (Limoeiro do Norte e Caucaia/2010), no Paraná (Toledo/2010), São Paulo (Santo André/2011) e em Rondônia (Ji-Paraná/2011), se destaca por ministrar oficinas de construção e lançamento de foguetes didáticos movidos a água e ar comprimido. Esta é uma contribuição no sentido de compartilhar a experiência do grupo (Figuras 20 e 21) nesse tipo de trabalho e estimular o interesse de professores e estudantes pela área das ciências espaciais.

Oficina de foguetes ministrada por membros do CDAO no EREA em Caucaia-CE/2010. Fonte: Arquivos CDAO/2010.
Professores com foguetes confeccionados em oficina didática realizada em Caucaia-CE/2010. Fonte: Arquivos CDAO.

Na VII SEASE o Prof. Nilson Silva Santos (CDA Órion) paresentou uma palestra cujo tema foi “O Desenvolvimento da Astronomia Amadora em Sergipe: Das Origens Históricas às Perspectivas Futuras”.

O palestrante destacou a SEASE como sendo a primeira instituição (grupo) de astronomia no estado, tendo sua fundação no inicio da década de 1990, com nome de Grupo de Astronomia Johannes Kepler (GAJK) e sua sede era Centro Acadêmico de Física Leônidas Tancu (CAFis-LT/UFS) e os primeiro instrumentos do grupo foi uma luneta de 50mm e depois um telescópio newtoniano de 180mm.

Mencionou que a segunda fase do grupo ocorre em 2001, quando houve a mudança da sede do grupo, saindo das dependências do Campus da Universidade para a casa do senhor José Alípio Alvares de Armando Neto e há mudança também de nome do grupo para Sociedade de Estudos Astronômicos de Sergipe (SEASE). E que a terceira fase acontece, entre 2003 e 2009, quando ocorreu mais uma mudança de sede, passando a ocupar uma sala cedida pelo então presidente do Cotinguiba Esporte Clube, o senhor Wellington Mangueira.

Em sequida, aborda que em 2009 é fundado o Clube Dorense de Astronomia Órion (CDAO), motivado pela SEASE, com sede no interior do estado, na cidade de Nossa Senhora das Dores, que tem como fundador e coordenador geral o professor e astrônomo amador Nilson Santos que juntamente com outros entusiastas se reuniram para participar das atividades promovidas no Ano Internacional da Astronomia em 2009 (AIA 2009). O nome do grupo faz referencia à grande constelação Órion. O Prof. Nilson ainda falou sobre o surgimento de outros grupos de astronomia no estado, em Lagarto, Estância e o da própria UFS, com o surgimento do curso de Astronomia e lembrou que no mesmo ano a SEASE se transferiu para CCTECA onde continua até hoje em suas dependências, usufruindo dos arredores para realizar a maioria de suas observações.

Por último, foi explorado o Clube Dorense de Astronomia Órion, coordenado atualmente pelo palestrante, mostrando imagens de palestras, exposições, oficinas, observações com telescópios. Ele destacou que já no primeiro ano de fundação do CDA Órion foram realizadas quatro exposições abertas ao público com coleção de imagens cedidas pelo astrônomo Augusto Daminelli (paisagens cósmicas celebrando o AIA 2009). Finalizou, comentando sobre o projeto HERMES em uma exposição que participou em Brasília e contou a história do foguete que eles levaram para a exposição que tinha uma tartaruga como cobaia acoplada ao foguete.

O Prof. Nilson Silva Santos  em palestra “O Desenvolvimento da Astronomia Amadora em Sergipe: Das Origens Históricas às Perspectivas Futuras” – VII SEASE , 2016.

Informações de contato:

Site/Blog:  www.cdaorion.blogspot.com.br

Facebook:  https://www.facebook.com/cdaorion

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Texto: MAS; Reproduzido das páginas do MAS.

Fontes:  SANTOS, Nilson SilvaO desenvolvimento da astronomia amadora em Sergipe: das origens históricas às perspectivas futuras.Monografia: Especialização em Ensino de Astronomia,Universidade Cruzeiro do Sul, São Paulo, 2012. Disponível em: https://memoriasdaastronomiaemsergipe.files.wordpress.com/2019/06/monografia-o-desenvolvimento-da-astronomia-amadora-em-sergipe-nilson-santos-30-04-121-1.pdf, acesso em 26 Jun. 2019.

Nilson Santos. Palestra: O Desenvolvimento da Astronomia Amadora em Sergipe: Das Origens Históricas às Perspectivas Futuras, na VII Semana de Astronomia de Sergipe, 2016. Disponível em:https://memoriasdaastronomiaemsergipe.wordpress.com/2019/06/26/relatorio-da-vii-semana-de-astronomia-de-sergipe-vii-sease/. Acesso 26 Ago. 2019.  (Conteúdo arquivado no Wayback Machine em 08/05/2017 https://web.archive.org/web/20170508093541/http://sease.org.br/relatorio-vii-sease/).

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